Murilo Bustamante, uma lenda das artes marciais, celebra a notável transformação do jiu-jítsu. Faixa-coral e ex-campeão peso-médio do UFC, ele testemunhou uma “virada” sem precedentes na modalidade.
Antes, um esporte movido pela paixão e busca por medalhas, hoje o jiu-jítsu se consolida como uma carreira lucrativa para muitos atletas. Essa evolução marca um momento histórico para a arte suave.
Bustamante compartilhou suas reflexões no podcast “Mundo da Luta”, em conversa com Ana Hissa, Carlos Antunes e Gleidson Venga, conforme informação divulgada pelo próprio podcast.
A Ascensão Financeira do Jiu-Jítsu
Desde os anos 1980, Murilo Bustamante acompanhou todas as fases do jiu-jítsu, desde lutas por medalhas até a remuneração atual. Ele recorda eventos de quimono que raramente ofereciam dinheiro.
“Eventos de quimono não tinham dinheiro. Até tinha um ou outro, mas muito raro”, afirmou Bustamante. Hoje, “tem garotos com contratos de seis dígitos lutando jiu-jítsu”, uma mudança “impensável” no passado.
O ex-campeão do UFC expressou grande otimismo: “Em termos mundiais, o crescimento do jiu-jítsu diria que estamos em 25 a 30% (de potencial), acho que ainda temos muito pra crescer com e sem quimono”, projetou, evidenciando a expansão da arte suave.
O Impacto do Desafio de 1991
Um marco na carreira de Bustamante foi o desafio contra a luta-livre em 1991. Transmitido pela TV Globo, o evento impulsionou o jiu-jítsu no Brasil, gerando um “boom” nas academias.
Contudo, a popularidade trouxe desafios. Murilo Bustamante relembrou que, após o Vale-Tudo de 91, alguns jovens abusaram da força, causando problemas e prejudicando a imagem do esporte. “Esses problemas repercutiram muito mal”, explicou.
Muitos pais hesitaram em matricular filhos em uma modalidade associada a comportamentos “arruaceiros”, um obstáculo inesperado para a arte suave.
Em Busca de Respeito e Reconhecimento
A comunidade do jiu-jítsu trabalhou para reverter essa percepção. Professores e atletas focados no treinamento não se envolviam nas confusões, buscando mostrar a verdadeira essência da modalidade.
“Com o tempo isso foi passando, a gente foi conseguindo mostrar a nossa realidade do atleta de luta, que é um atleta como o de natação, de futebol”, pontuou Bustamante, defendendo a equiparação de respeito.
O questionamento era direto: “Por que um atleta de natação, de futebol ou de atletismo seria mais respeitado que um atleta de Jiu-Jitsu, se os dois trabalhavam igual, os dois treinavam e se esforçavam?”.
Essa mentalidade de dedicação, profissionalismo e organização foi crucial para a virada do jiu-jítsu, consolidando-o como modalidade respeitada e repleta de oportunidades.

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