O debate sobre a remuneração dos atletas no Ultimate Fighting Championship, o UFC, ganha um novo capítulo com as declarações contundentes de um de seus veteranos. Jared Cannonier, conhecido como “The Killa Gorilla”, não poupou críticas ao sistema de pagamento da organização.
Às vésperas de seu retorno ao octógono, Cannonier abriu o jogo sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pelos lutadores, especialmente aqueles que, como ele, estão há anos entre os melhores de suas categorias. Ele defende uma maior valorização para todos os competidores.
Suas falas trazem à tona uma discussão antiga e crucial sobre a justiça nos contratos e a distribuição de lucros em um dos maiores eventos esportivos do mundo, conforme informações divulgadas pelo Full Send MMA.
A realidade dos salários no UFC
Jared Cannonier expressou seu desejo por salários mais altos, não apenas para si, mas para todos os lutadores de MMA. Ele pontuou que existe uma grande diferenciação no nível de habilidade, mesmo dentro do UFC, e que a organização baseia o pagamento no mérito.
O desempenho e a capacidade de marketing são, segundo ele, fatores cruciais para a remuneração. Cannonier almeja ser pago de forma similar aos atletas de alto rendimento em qualquer outro esporte, dada a exposição global e o esforço exigido.
“Gostaríamos de receber mais”, afirmou o lutador. Ele destaca a visibilidade que os atletas têm, aparecendo em televisões ao redor do mundo, e a dedicação necessária para chegar à semana da luta, um período de grande desgaste.
A perda de patrocínios e o impacto financeiro
Uma das grandes queixas de Cannonier é a perda de uma fonte significativa de renda para os lutadores. Ele relembrou que, no passado, os atletas podiam contar com diversos patrocínios, o que mudou drasticamente.
“Perdemos muito dinheiro que não está vindo para nós”, explicou Cannonier. A mudança no cenário dos patrocínios, imposta pela própria organização, deixou os lutadores com poucas opções, impactando diretamente seus ganhos.
Essa alteração no modelo de negócio do UFC, que centralizou os patrocínios, é vista por muitos como um dos principais motivos para a insatisfação financeira dos atletas, que antes podiam negociar individualmente.
Contratos milionários: o que Cannonier realmente quer
Com uma década de experiência no UFC e uma posição consolidada como “porteiro” no peso-médio, Cannonier não hesitou em expressar sua frustração. Ele se sente na “pior parte do negócio” quando o assunto é o pagamento.
“Os lutadores estão definitivamente na pior parte deste negócio todo”, declarou. O atleta, que está no top 5 e top 10 há cerca de sete a oito anos, acredita que seu patamar de carreira justifica um tratamento financeiro diferenciado.
“Acho que deveria ter contratos de milhões de dólares, não contratos de 100.000 dólares e coisas assim”, enfatizou Cannonier, reforçando sua convicção de que, no estágio atual de sua carreira, merece uma remuneração mais justa e substancial.
Ele fez questão de ressaltar que não está reclamando, mas sim expressando um sentimento genuíno. “Não vou me conter em expressar minha opinião sobre isso”, garantiu, mostrando sua determinação em levantar a questão publicamente.
O debate sobre o valor dos lutadores e o futuro da carreira
Cannonier, com um cartel de 11 vitórias e 9 derrotas no UFC, e um recente 1-3, se prepara para enfrentar Christian Leroy Duncan, um lutador em ascensão com 7 vitórias e 2 derrotas. Ele é o décimo colocado no ranking, enfrentando o décimo segundo.
Mesmo em uma posição de destaque como co-evento principal do UFC Oklahoma City, em uma noite que pode gerar mais de US$ 2 milhões apenas em bilheteria, a questão do salário persiste. O UFC, por sua vez, argumentaria que um lutador como Cannonier é substituível.
No entanto, a matéria do Full Send MMA pondera que atletas como Jared Cannonier, que construíram uma reputação de lutar com garra e dedicação ao longo dos anos, merecem muito mais do que estão recebendo atualmente.
Aos 42 anos, Cannonier se aproxima do fim de sua trajetória no esporte. Passar tantos anos entre os dez melhores de sua divisão e não acumular uma quantia significativa de dinheiro seria, para muitos, um desfecho injusto e “criminoso”.

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