A derrota de Conor McGregor no UFC 329, no aguardado reencontro com Max Holloway, chocou muitos fãs, mas para observadores atentos, foi apenas a confirmação de uma realidade que se desenha há anos. O embate expôs o abismo entre a memória de um campeão e a sua condição atual no octógono.

A expectativa em torno de McGregor ainda é imensa, impulsionada por uma base de fãs que parece presa no passado. Contudo, o esporte não espera e a evolução de seus adversários é constante, enquanto o “Notório” enfrentava seus próprios demônios fora das lutas.

Este evento não foi apenas uma luta, mas um despertar brutal para uma parcela significativa do público que ainda via McGregor como o lutador invencível de outrora, conforme uma análise recente da mídia especializada.

A Queda do “Notório”: Uma Linha do Tempo Esquecida

Existe uma parte dos fãs de luta que nunca superou o ano de 2016. Naquele ano, Conor McGregor nocauteou Eddie Alvarez para se tornar campeão simultâneo em duas categorias do UFC, um feito que marcou o auge de sua proeza atlética.

Sua habilidade como striker era tamanha que lhe rendeu o lucrativo confronto de boxe contra Floyd Mayweather, um evento que o afastou do octógono por quase dois anos. Essa interrupção, no entanto, foi o início de uma nova era para o lutador.

A confusão sobre a linha do tempo atual ajuda a explicar as probabilidades surpreendentemente próximas para o evento principal do UFC 329 entre Conor McGregor e Max Holloway. Uma maioria das apostas foi feita no azarão McGregor, inclusive por celebridades como Drake.

Muitos fãs casuais parecem não entender que 2016 foi há quase uma década e que McGregor não venceu uma luta importante desde antes da pandemia, um declínio evidente para quem acompanha o esporte de perto.

Como disse Nate Diaz em 15 de outubro de 2018, em uma citação que ressoa hoje: “Se você não consegue ir para a guerra, você perde a guerra. Você não é feito para esta vida.”

Max Holloway: O Guerreiro Incansável do Octógono

Enquanto McGregor desfrutava de seu “retiro em iates” por cinco anos, Max Holloway estava ocupado enfrentando os melhores lutadores do mundo. Sua carreira foi um contraste nítido, mantendo-o no topo da elite do MMA.

No período entre a primeira lesão grave na perna de McGregor e o UFC 329, Holloway brilhou. Ele venceu um round contra Ilia Topuria, nocauteou Justin Gaethje e derrotou “The Diamond”, solidificando seu legado como um dos maiores.

Aos 34 anos, o havaiano pode não estar mais em seu auge físico, mas seu corpo permanece uma “espada afiada”, ainda forjada no fogo do combate de elite. Ele é, sem dúvida, um dos cinco melhores contendores em duas divisões diferentes atualmente.

Arrogância e Despreparo: A Receita para o Fracasso no UFC 329

O retorno de McGregor contra Holloway no UFC 329 foi, para muitos, um ato de pura arrogância. Como ele poderia pensar que poderia “sair do sofá” e enfrentar um lutador do calibre de Max Holloway? Essa é uma questão que ecoa no universo das lutas.

O corpo de McGregor já mostrava sinais de desgaste há cinco anos. Atletas jovens no auge não quebram ossos ao chutar. A combinação de cocaína e uísque é, de forma nada surpreendente, uma preparação inadequada para o alto desempenho atlético, e um corpo de 37 anos não suporta o mesmo que joelhos de 27.

O chute voador que abriu a luta é um microcosmo de toda a sua atitude. McGregor, mancando, entra no octógono e decide literalmente pular para a ação. É uma espécie de delírio e anacronismo, e muitos de seus fãs foram arrastados por essa ilusão.

Um adversário como Michael Chandler, mesmo que meio-quebrado, teria sido um desafio muito mais apropriado para o momento atual de McGregor, demonstrando uma falta de avaliação realista de sua própria condição.

O Futuro Incerto de Conor McGregor no UFC

A pergunta que fica é: quem vai encarar a realidade? Para McGregor, é fácil vender a lesão como um momento de azar, uma mera aberração em seu predestinado retorno à grandeza. Convenientemente, a lesão apagou uma das duas lutas restantes em seu contrato com o UFC.

Se não fosse pela implosão do joelho, Holloway teria provavelmente pulverizado a aura de McGregor sem qualquer asterisco ou desculpa. Agora, resta apenas mais uma luta para a “liberdade”, que muitos especulam ser um confronto com Jake Paul, quando o joelho sarar.

Como os fãs responderão? No momento, muitos daquela porcentagem de fãs de 2016 estão indignados, chocados com a revelação de que dez anos se passaram desde que Conor McGregor era particularmente bom em lutar. A realidade é dura, mas inegável.

No entanto, até que McGregor se recupere e esteja pronto para cumprir seu contrato, muitas pessoas terão esquecido o que aconteceu no UFC 329. Eles estarão de volta em 2016, prontos para ver o “double champ” fazer o que bem entender. Talvez ele consiga passar da marca dos dois minutos na próxima vez.


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