O Drama do Corte de Peso Extremo no UFC
O MMA, conhecido por sua intensidade nos combates, esconde perigos ainda maiores nos bastidores, especialmente durante o temido corte de peso. Essa rotina de desidratação e restrição alimentar leva o corpo dos atletas ao limite, e a brasileira Karol Rosa, lutadora do UFC, vivenciou um episódio que quase lhe custou a vida.
Em 2020, durante a preparação para uma luta em Las Vegas, a atleta da categoria peso-galo (61 kg) sofreu um colapso. O incidente foi tão grave que a capixaba precisou ser reanimada antes de ser levada às pressas para o hospital, um relato chocante que ilumina a face oculta e perigosa do esporte.
A história foi compartilhada pela própria lutadora em uma entrevista ao canal ‘Direto de Vegas’, um podcast da Ag Fight, oferecendo um vislumbre das provações físicas e mentais que os lutadores enfrentam para competir em alto nível.
O Momento Crítico e a Reanimação
Karol Rosa enfrentaria Sijara Eubanks em um evento do Ultimate, mas dois dias antes do combate, durante o processo de corte de peso, ela passou mal. A lutadora, hoje com 31 anos, tem poucas lembranças claras do ocorrido, mas os relatos de sua equipe são vívidos e alarmantes.
Segundo seu então empresário, Tiago Okamura, Karol começou a tremer incontrolavelmente e, em seguida, parou de reagir. “Cara, sim (precisei ser reanimada). O Tiago falou que sim. Na época, o Tiago Okamura era meu empresário. Ele falou que eu comecei a tremer e depois eu parei. Aí ele teve que fazer massagem assim (apontando para o próprio peito)”, relembrou a lutadora.
O susto foi tão grande que a equipe do UFC foi acionada imediatamente. Após a reanimação e a ingestão de algo para comer, Karol Rosa começou a recobrar a consciência. “Aí chamaram o pessoal do UFC. Depois me deram um negócio para eu comer, aí fui acordando. Aí só lembro de estar lá no carro da ambulância. Não lembro de tudo”, explicou a atleta, destacando a gravidade do momento.
Os Detalhes do Processo de Desidratação
No momento em que seu corpo cedeu, Karol Rosa já havia perdido mais de 10 kg no processo de desidratação. No entanto, para atingir o limite de sua categoria, ainda restavam cerca de 5 kg a serem eliminados, uma tarefa que se mostrou perigosa demais para seu organismo.
A brasileira utilizava táticas comuns entre os lutadores de MMA, como sessões de sauna e o uso de toalhas para auxiliar na perda de peso. “Isso aconteceu na quinta-feira de manhã. Eu comecei (a cortar peso) com 78 kg, tinha uns dez dias. E parei (de cortar peso) com 66,8 kg. Aí não aguentei, não estava aguentando mais”, detalhou Karol sobre o processo.
Ela estava em uma espécie de “forninho”, enrolada em toalhas, quando os tremores começaram e, posteriormente, pararam. “Aí disseram que fiquei me tremendo, e depois parei de tremer. Aí ele (meu então empresário) viu que eu estava meio que sem respirar. Aí fez os negócios lá, e eu voltei”, completou a capixaba, enfatizando a intervenção crucial que a salvou.
As Consequências e a Recuperação
O incidente resultou no cancelamento da luta contra Sijara Eubanks. Após ser hospitalizada, Karol Rosa passou por uma série de exames. “Fui para o hospital. Já tinha feito tudo, banheira, tudo. Aí tirei vários raio-X do coração. Aí fiquei um tempo sem lutar”, afirmou a lutadora, indicando o período de recuperação necessário para seu corpo e mente.
O episódio deixou uma marca profunda, e a atleta precisou de alguns meses para se sentir segura e apta a competir novamente. A experiência serviu como um alerta sobre os perigos inerentes ao corte de peso extremo, uma prática comum, mas arriscada, no mundo das lutas.
O Perigo Invisível do MMA
A história de Karol Rosa é um lembrete vívido de que os desafios no MMA vão muito além do octógono. O rigoroso controle de peso, essencial para a competitividade, pode levar os atletas a situações de risco extremo, comprometendo seriamente sua saúde e bem-estar.
Atualmente, aos 31 anos, Karol Rosa segue ativa no UFC, ocupando a décima posição no ranking dos pesos-galos. Com um cartel profissional de 19 vitórias e oito derrotas, ela continua a demonstrar resiliência e talento, superando os desafios dentro e fora da área de combate.

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