O UFC encerrou sua parceria com a Agência Antidoping dos Estados Unidos, a USADA, mas as memórias dos oito anos de testes rigorosos ainda estão frescas na mente de muitos veteranos do esporte. Entre eles, Chris Weidman, Jorge Masvidal e Dustin Poirier, que compartilharam suas experiências mais difíceis e inusitadas com a agência.
Em um episódio recente do podcast ‘Deep Waters’, os lutadores abriram o jogo sobre a rotina de vigilância, os sustos e as situações cômicas que enfrentaram. O sistema da USADA envolvia testes aleatórios e a necessidade de os atletas atualizarem constantemente sua localização, o que gerava momentos de pura tensão.
Desde interrupções em momentos de lazer até chamadas em horários inoportunos, os relatos mostram um lado pouco conhecido da vida dos atletas de elite. Histórias de frustração e até de raiva foram desabafadas pelos ex-lutadores do UFC, conforme divulgado pelo portal ‘MMA Fighting’.
A Rotina Invasiva dos Testes Antidoping
Chris Weidman, ex-campeão peso-médio do UFC, relembrou a invasão da privacidade que os testes antidoping da USADA podiam causar. Ele contou um episódio em que estava jogando golfe e foi surpreendido pelos agentes.
“Eu estava jogando golfe uma vez e eles tiveram que vir ao campo de golfe e me esperaram na virada”, disse Weidman, detalhando a obrigatoriedade. “Tive que fazer xixi e tirar sangue, e meus rapazes tiveram que esperar por mim, porque uma vez que eles te veem, você não pode sair do campo de visão deles. Eles precisam te ver dentro de uma hora após te ligarem. Uma vez que eles entram em contato com você, você tem cerca de uma hora, talvez uma hora e meia.”
Falhas e Frustrações Inesperadas
A rigidez do sistema de testes antidoping também levou Weidman a receber uma advertência. Ele esqueceu de atualizar sua localização no aplicativo da USADA durante uma viagem à sua casa na montanha, a duas horas de distância.
“Eu ‘falhei’ em um teste antidoping uma vez, não falhei de verdade, mas recebi um aviso porque fui para minha casa na montanha, que fica a duas horas de distância, e não registrei isso no meu aplicativo da USADA. Recebi uma ligação dizendo que eles estavam na minha casa”, explicou o lutador. Apesar de tentar voltar às pressas, o trânsito o impediu de chegar a tempo, resultando em uma advertência.
Outro momento crítico para Weidman ocorreu antes do UFC 205, quando ele lutaria contra Yoel Romero. O lutador sofreu uma lesão no joelho e precisou de cirurgia, mas escondeu isso do UFC para não perder a chance de lutar no primeiro evento da organização em Nova York. Após a cirurgia e um soro intravenoso, proibido pelas regras da USADA, os agentes apareceram em sua porta.
“Eu fiz o soro, voltei do hospital, estava tomando analgésicos e tudo mais, e tinha a faixa no meu braço do soro, e você não tem permissão para receber soro. De repente, as portas começaram a ser batidas, a campainha tocou. USADA”, contou Weidman, descrevendo o desespero. “Foi um pesadelo e eu estava tão paranoico que ia ter problemas, mas no final deu tudo certo.”
Situações Cômicas e Absurdas com os Testes Antidoping
Jorge Masvidal compartilhou uma história mais divertida, mas igualmente reveladora sobre a paciência exigida nos testes antidoping. Após um treino intenso, ele foi abordado pelos agentes, mas não conseguia urinar.
“Eles me pegaram depois do treino uma vez, e eu tinha feito a sessão de treino inteira. Fui para a sauna e tudo mais, tipo, 15-20 minutos depois que terminei, eles apareceram e eu disse, ‘Vocês vão ficar comigo o dia todo, porque vou dizer agora, perdi oito ou nove quilos nesta sessão de treino, não vou urinar por um tempo, então vocês terão que relaxar comigo’”, narrou Masvidal. Os agentes tiveram que acompanhá-lo por horas, incluindo refeições, até que ele pudesse fornecer a amostra.
Dustin Poirier também teve uma experiência inusitada. Ele estava em uma concessionária, comprando uma caminhonete, quando recebeu a ligação da USADA. Sem tempo de chegar em casa em uma hora, os agentes foram ao seu encontro.
“Uma vez, a USADA me ligou quando eu estava comprando uma caminhonete. Eu estava na concessionária sentado assinando papéis. Eles me ligaram, tipo, não tinha como eu chegar em casa em uma hora, então eles me encontraram na concessionária. Urina e sangue, na concessionária”, relembrou Poirier, destacando o ambiente incomum para um teste antidoping.
O Limite da Paciência dos Lutadores
Apesar de reconhecerem a importância dos testes antidoping, os lutadores concordam que houve momentos em que a paciência foi testada ao limite. As chamadas em horários inconvenientes eram particularmente irritantes.
“Outra vez eles vieram, bateram na minha porta, era tipo, 6 da manhã de domingo de Super Bowl. Eu fiquei furioso”, disse Poirier. Masvidal complementou, expressando um sentimento compartilhado por muitos atletas: “6 da manhã de um domingo, eles fizeram isso comigo, tipo, duas vezes. Eu queria matá-los.”

Deixe um comentário