Aljamain Sterling recusa luta no UFC, buscando impulsionar sua carreira e consolidar um legado significativo, enquanto avalia os riscos de enfrentar oponentes fora do top 10.
O ex-campeão peso-galo do UFC, Aljamain Sterling, conhecido como ‘Funkmaster’, encontra-se em um impasse na sua jornada no peso-pena. Apesar de estar inativo desde abril, quando enfrentou Youssef Zalal, o lutador de 37 anos recentemente recusou uma oferta de luta contra um oponente que nem sequer figura entre os dez melhores de sua categoria.
A decisão de Aljamain Sterling gerou discussões e levantou questões sobre o planejamento de carreira de um atleta veterano em um esporte tão competitivo. Ele expressou sua frustração com as oportunidades oferecidas, especialmente por não ter sido incluído no card do UFC 333, que acontecerá em outubro.
As informações foram detalhadas por Ryan Harkness no MMAmania.com, que trouxe à tona os bastidores da situação e as declarações do próprio lutador em seu podcast no YouTube, onde ele abriu o jogo sobre os motivos de sua recusa.
A recusa e a busca por relevância
Aljamain Sterling, atualmente ranqueado em quarto lugar na divisão dos pesos-penas, revelou que sua preferência seria por uma luta contra Arnold Allen, que ocupa a quinta posição. No entanto, a oferta que recebeu foi para enfrentar um lutador fora do top 10, o que, para ele, não fazia sentido.
Em suas próprias palavras, traduzidas do inglês, Sterling afirmou: “Eu gostaria de ter recebido a oferta para lutar contra Arnold Allen. Me ofereceram uma luta que estava fora do top 10, e eu senti que não fazia muito sentido para mim. Estou ranqueado em quarto lugar no mundo agora. Tenho 37 anos. Não sei. Às vezes não entendo a lógica de certas coisas.”
Aos 37 anos, o ‘Funkmaster’ sente que cada luta é crucial para o seu legado. Ele questiona a lógica por trás das ofertas, especialmente quando há tantos grandes confrontos sendo marcados no topo da divisão, e ele próprio tem dificuldade em conseguir um oponente relevante.
O dilema do risco versus recompensa
A decisão de Aljamain Sterling de recusar a luta não foi fácil, sendo a primeira vez que ele nega uma oferta em sua carreira no UFC. Ele pondera sobre os riscos e recompensas de aceitar um combate contra alguém fora do top 10, destacando que a atividade no octógono vem com um custo.
O lutador explicou seu raciocínio: “Só tenho mais uma chance nisso, e quero ter certeza de que é a melhor chance que terei. E se vou arriscar, quero ter certeza de que estou arriscando por algo que faça sentido, sabe? Peço para ser ativo, mas a atividade também tem um custo. Você quer ser ativo para as lutas que fazem sentido para você ao mesmo tempo.”
A preocupação principal de Sterling é o impacto de uma possível derrota. “Para mim, perder para alguém que nem está no top 10, jogando os dados? Algumas pessoas podem dizer, ‘Ah, você não pode pensar assim.’ Cara, você tem que olhar os pontos positivos e negativos. Se eu vencesse, o que isso me traria? Provavelmente nada. Estaria na mesma posição. Estaria apenas lutando por um cheque. Mas se eu perdesse, isso me colocaria em muito mais posições abaixo do que eu provavelmente deveria estar. Então é uma decisão tão difícil, e acho que esta é a primeira luta que recuso em minha carreira no UFC.”
A percepção da UFC e o futuro incerto
Historicamente, o UFC não costuma ser flexível com recusas de lutas, geralmente deixando o atleta sem novas ofertas por um período de quatro a seis meses. Apesar disso, Aljamain Sterling mantém a esperança de que uma oportunidade melhor apareça em breve.
Durante seu reinado como campeão peso-galo, Aljamain Sterling ganhou a reputação de ser “difícil de trabalhar”, segundo o CEO do UFC, Dana White. Desde a perda do cinturão peso-galo, ele tem um registro de três vitórias e apenas uma derrota, esta para Movsar Evloev, o próximo desafiante ao cinturão peso-pena.
Sua última luta foi contra Youssef Zalal, ranqueado em nono lugar na época, o que já representou um “passo abaixo” em termos de ranking. A situação levanta a questão de quem está realmente sendo difícil: Sterling, que busca por relevância, ou o UFC, que oferece lutas com pouco upside para um ex-campeão?
Legado acima do cheque
Para Aljamain Sterling, a fase de aceitar “lutas aleatórias” ficou para trás. Ele busca por oportunidades que não apenas façam sentido financeiramente, mas que também contribuam para sua história e seu legado no esporte. Ele quer ter a certeza de que há um benefício claro ao arriscar seu lugar no ranking.
Ele finalizou sua reflexão com uma declaração poderosa: “Não me foi explicado que haveria um benefício em arriscar. Porque se houvesse, então, tudo bem, vamos em frente. Mas se não há benefício, então é tipo, cara, não estou apenas lutando por um maldito cheque. Estou lutando por legado. Estou lutando por história. Espero que as pessoas realmente possam entender isso, e que não se perca para elas. Tipo, ‘Ah, lutadores lutam.’ Cara, eu tenho 37 anos. Malditos 37.”

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