A controvérsia em torno do projeto Zuffa Boxing de Dana White ganhou um novo capítulo com as declarações incisivas de Oscar De La Hoya. O ícone do boxe não poupou críticas, utilizando uma conhecida analogia para descrever o que ele considera uma estratégia enganosa.
De La Hoya compara a Zuffa Boxing a um “Cavalo de Troia”, projetado para atrair e, eventualmente, explorar lutadores de boxe. Sua preocupação reside na forma como a promoção estaria operando, prometendo grandes pagamentos iniciais que, segundo ele, não se sustentarão a longo prazo.
A lenda do boxe argumenta que essa tática visa monopolizar o esporte, replicando um modelo que, em sua visão, já prejudica os atletas do UFC. A análise detalhada de De La Hoya sobre os perigos iminentes para os lutadores foi divulgada conforme noticiado pelo Morning Report.
A Estratégia do “Cavalo de Troia”: Enganar para Dominar o Boxe
Oscar De La Hoya explicou sua analogia ao recordar o filme “A Odisseia”. Ele traçou um paralelo direto entre a história da Grécia Antiga e as operações da Zuffa Boxing.
“Então, eu assisti ‘A Odisseia’ outro dia”, disse De La Hoya em um vídeo no Instagram. “Era sobre os gregos e como eles invadiram a cidade de Troia disfarçados dentro de um Cavalo de Troia. Eles enganaram seus inimigos para entrar em seus portões e o resto é história. Hoje, a Zuffa Boxing é o Cavalo de Troia.”
Para De La Hoya, a Zuffa estaria superpagando alguns boxeadores de renome para criar uma ilusão. Isso faria parecer que grandes somas de dinheiro seriam uma constante, mas ele adverte que essa percepção é enganosa e temporária.
Milhões Agora, Migalhas Depois? O Modelo UFC em Debate
A principal crítica de De La Hoya é que os altos pagamentos são uma fachada. Ele acredita que, uma vez que a Zuffa Boxing estabeleça um monopólio, os lutadores receberão quantias mínimas.
“Eles estão pagando demais a alguns boxeadores para fazer parecer que esse grande dinheiro continuará, mas não vai”, afirmou De La Hoya. “Uma vez que eles monopolizem o esporte como querem, a Zuffa pagará migalhas aos lutadores, exatamente como o UFC. É o mesmo modelo.”
Ele também aponta para a suposta intenção da Zuffa de mudar a Lei Muhammad Ali Act. Isso permitiria que operassem como uma liga própria, com suas próprias regras, rankings e um “cinturão unicórnio” exclusivo.
Lutadores de grande nome como Shakur Stevenson e Conor Benn teriam assinado contratos de curta duração, de uma ou duas lutas, por milhões de dólares. Contudo, De La Hoya vê isso como parte da estratégia para atrair outros atletas.
“Eles estão pagando demais os nomes conhecidos a fim de parecerem bonitos e ganharem credibilidade”, disse De La Hoya. “Assim, mais lutadores promissores assinarão com eles e, podem me cobrar, uma vez que eles o façam assinar, eles vão reduzir todo o pagamento, assim como fizeram com o UFC. Esse é o objetivo.”
Manipulação de Regras e Cinturões: O Caso Jai Opetaia
De La Hoya acusa a Zuffa Boxing de criar suas próprias regras, ignorando as normas estabelecidas no boxe. Ele citou o caso de Jai Opetaia como exemplo dessa alegada manipulação.
“Aqui está um exemplo de como eles já estão criando suas próprias regras”, observou De La Hoya. “As regras da Ring Magazine afirmam que, se você não agendar uma luta em dois anos contra um dos 5 primeiros desafiantes, você será destituído.”
Segundo ele, Jai Opetaia deveria ter sido destituído em maio por ter lutado contra um oponente de baixo escalão, em vez de um desafiante do top 5. No entanto, a Ring Magazine não agiu, o que De La Hoya atribui à influência da Zuffa.
A IBF, por outro lado, destituiu Jai Opetaia de seu cinturão por não reconhecer o “cinturão unicórnio” da Zuffa. De La Hoya expressou pena por Opetaia, afirmando que a Zuffa o está fazendo processar a IBF em seu próprio nome.
“E o pobre Jai Opetaia, sinto muito por ele porque a Zuffa o está fazendo processar a IBF em nome deles. Ele está literalmente lutando a batalha legal pela Zuffa, é realmente nojento”, desabafou De La Hoya, reforçando a ideia de que a Zuffa Boxing busca operar sob um sistema próprio.
Um Alerta Final para a Nova Geração de Lutadores
O ex-campeão mundial concluiu seu alerta com uma mensagem direta à nova geração de lutadores. Ele os exorta a não serem enganados pela aparente bonança financeira inicial.
“Olha, uma vez que eles tiverem seu monopólio, ninguém mais será pago”, afirmou De La Hoya. “Eles precisam que todos vocês sejam atraídos por esse gasto excessivo ridículo que vocês estão vendo agora, mas isso não pode ser sustentado. Assim como a LIV Golf.”
De La Hoya finalizou com uma advertência contundente: “Então, não sejam a cidade de Troia, pessoal. Não se vendam e não abram suas portas. O recado está dado. E ‘Tio Fester’, vá se danar.”
A crítica de Oscar De La Hoya ressalta a complexidade e os desafios no mundo do boxe, especialmente com a entrada de novos players como a Zuffa Boxing. A batalha pela influência e pelo futuro financeiro dos lutadores continua sendo um tema central no esporte.

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